Click Literário

Ideias, histórias & umas mentiras sobre fotografia

Ponto pra IA, mas eu ainda estou na frente!

Todo mundo sabe que a IA, Dona Inteligência Artificial, ou no plural Inteligências Artificiais, afinal são tantas e cada vez mais (rimou!), são muito melhores do que os humanos em algumas coisas. Em outras estamos avaliando ainda, e em outras-outras esperamos (ou espero?) que nós consigamos seguir no protagonismo. Por outro lado, sempre tem uns pensadores pra apresentar distopias ASSUSTADORAS de um futuro próximo ou nem tanto (alô alô, fãs de Black Mirror!).

Fato é que eu não sou louco (ou burro?) de comprar a briga contra a tecnologia. Ainda não sou tão véio, mas chego lá, ah se chego… E já precisamos admitir que em vários aspectos a Dona IA manda muito melhor e/ou mais rápido que nós.

Este texto, por exemplo, foi rascunhado há umas semanas (anotado num bloco mequetrefe, imagem comprovando abaixo – olha os DOCUMENTOS DE PROCESSO aííííí geeeente), agora está passado a limpo com revisão & ajustes, e mesmo assim deve escapar algum errinho, desculpa aí, caro leitor.

Já a Dona IA, no texto anterior deste mesmo ilustre blog, em poucos minutos saiu digitando umas frases de efeito com palavras bonitas e, após brevíssima revisão minha, já tava ali publicado. Aliás, no texto o bloco mequetrefe é corretamente denominado “bloquinho de anotações geniais ou nem tanto”, com ênfase pra segunda categoria.

Ou seja, em matéria de rapidez e agilidade, ponto pra IA.

Não é novidade, claro, mas eu queria registrar.
E seguimos com a programação normal, VAI:


Então que eu pensava, exatamente sobre estas tais IAs (eu prefiro no plural), que eu nunca fui o cara mais tecnológico, o mais ligado nas novidades.

Conheci alguns fotógrafos, lá no início dos anos 2000, que foram resistentes à fotografia digital, aliás vários foram e isso foi também certa “nobreza purista”, vá lá, MAS embora esses caras tenham resistido bravamente, em sua maioria, quando “pegaram gosto” só foi!

Um amigo especificamente logo se apaixonou pelas possibilidades que vinham e virou o cara das novidades digitais: a última câmera e o último sensor, o software mais atualizado e as últimas atualizações, qual a latitude de cor, tons e luzes de cada marca (problema sério lá nos primeiros sensores digitais, vamos ser sinceros), e o cara nem se atirava já no primeiro lançamento, pois tinha a (correta!) paciência de esperar passar o frenesi inicial – da indústria, das lojas, do marketing, dos fotógrafos, das revistas e sites com jabá) -. Um animado comedido (existe isso?), enfim.

Mas eis que tempinho depois surgiu a câmera que fazia foco depois da captura, durante o processamento da imagem, na edição ou pós-produção. Lembram dela? Aqui uma possibilidade:



A proposta da câmera Lytro (marca da empresa e que nomeou a câmera inicialmente), que não faz parte do nosso Jogo Super Clicks, foi desenvolvida pelo pesquisador Ren Ng, em 8 anos de doutorado na Universidade de Stanford, conforme reportagem da UOL, e era baseada na tecnologia chamada fotografia plenóptica ou fotografia de campo de luz. Na prática, a câmera capturava “toda” profundidade de campo da cena e, no processamento, caberia ao autor “indicar” onde queria o foco.

Os benefícios que essa tecnologia pode trazer são muitos, um deles é que como não haverá mais necessidade de foco antes de tirar a foto, você poderá se concentrar em apenas registrar aquele momento.

Segundo a Lytro, eles estão focando em velocidade, e eles afirmam que em menos de um segundo é possível ligar a câmera e tirar uma foto. Além disso, a câmera será portatíl e caberá no bolso de praticamente qualquer calça, algo bastante impressionante pra um produto tão poderoso. No entanto, a empresa ainda não confirmou todas as especificações da câmera.

O preço também é incerto, embora a empresa tenha dito que ela vai custar em torno de US 10.000 (…)

Reportagem da Techtudo de 2011, completa aqui.


Essa câmera, como várias outras novidades, foi alardeada (ô verbo!) como solução milagrosa por uns, odiada por outros (oi, pessoal!), teve seus dias de glória e meio que passou.

Ou vive até hoje??? Se alguém tiver alguma, conta aí pra nós…


Olha que belezinha:


Ah, vai, é bonito e encanta, né não?

Se você se interessou pela tecnologia em si e seu funcionamento, aqui tem uma boa apresentação com detalhes técnicos e aplicação pra câmera de vigilância, olhaí a importância do uso, hein?

Pois foi ESSA técnica que marcou o limite ultrapassado pela tecnologia da fotografia digital para aquele meu amigo: ali era o seu máximo, e para ele isso parecia muito bem resolvido.

Eu achei uma bobagem o cara ter achado AQUILO uma bobagem, mas só depois percebi que EU nem tinha nada a ver com as bobagens e o limite DELE.

Logo, segue o baile.

Lembrei disso tudo dia desses porque vi isso:

tá lá no nosso insta, que você deve estar seguindo e likeando, confirma, produção?


E por um momento, como esse meu amigo fotógrafo há mais de dez anos, fiquei EU com um gostinho misturado de “pra que isso?” com “AH, PRONTO!”.

Nem sei se é o MEU próprio limite sendo ultrapassado, talvez até seja, mas o que me ocorreu foi que ao contrário das criações de IA, essa câmera Paragraphica exige a presença física NO LOCAL EXATO, e com isso identifica as coordenadas de localização para, só depois, “criar” (não vou dizer fotografar, né?) a imagem.

E isso me lembrou também o caso da marca Tostines lá dos anos 80, EITA QUE TAMO FICANDO VÉIO MESMO…

Reza a lenda publicitária (ou seja, se não é totalmente inventada, deve ser grande parte) que a empresa Tostines queria fazer uma campanha de pão, cujo maior diferencial era ser um pão vendido quentinho, meio que “direto do forno”, nos mercados. Por ser o único “pão fresco”, vendia mais. E o publicitário do atendimento (GRANDE cara cuja função é tomar porrada do cliente E da agência, eita!) questionou o anunciante dono da empresa com uma dúvida sincera:

Mas vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?


E justamente ESSE foi o mote da campanha, gerando um slogan clássico, saca só:




Ahhhhh os anos 80, hein? Que saudades… Mas PASSOU, PASSOU, JÁ PASSOU A SAUDADE, ufa!

Então afinal, a câmera Paragraphica cria a imagem a partir das imagens daquela localização, ou as imagens daquela localização é que criam as novas imagens daquela localização?


E outra: pra que raios servem essas perninhas (bracinhos?) ali?

Não, não trago respostas (também odeio isso, desculpa aí, galera…) e só estava querendo dividir com os amantes de fotografia algumas reflexões sobre nossa amiga IA. E se você atentou ao texto anterior da “nossa amiga” aqui neste mesmo blog, percebeu que ela mandou bem no seu texto, trazendo questionamentos e contrapontos, mas hoje, NESTE post, temos algumas imagens & vídeos ilustrando tudo, o que fica mais interessante. MAS seria só se dedicar um pouquinho mais que Dona IA também faria isso tranquilamente, e sem se enrolar quase UM MÊS como eu fiz.

Pra finalizar, tó a parte do nosso “bloquinho de anotações geniais ou nem tanto” prometida lá no início, indo pro lixo em 3, 2, 1…

Sim, a letra é assim mesmo, mas eu tenho doutorado então posso, humpf! E é anotação pra mim mesmo, então posso também, mesmo que às vezes nem eu entenda hehe...



Bons clicks, boas leituras e boas anotações das suas ideias geniais, pessoal!

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Eu tava correndo bastante pra escrever aqui até que DE REPENTE…
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