Click Literário

Ideias, histórias & umas mentiras sobre fotografia

É um pássaro? um avião? uma máquina fotográfica? nãããão! é uma câmara escura, ooooohhhhhhhh

Não é charada, é convite à reflexão mesmo: 

O que é que está presente em toda máquina fotográfica? 
Assim... dentre todas as câmeras existentes, digitais ou analógicas, novas ou mais antigas, grandes ou pequenas, o que temos em comum? 
O que não pode faltar em nenhuma delas? 

Objetiva, lente? Não

Visor? Não também

Marca? Muito menos… (temos várias opções independentes e autorais…)

Então só pode ser uma coisa: A CÂMARA ESCURA!

SIM, exatamente, toda câmera fotográfica tem uma câmara escura, que é aquele espaço, grande ou pequeno, às vezes BEM grande ou às vezes BEM pequeno, onde a imagem vai efetivamente se formar e sensibilizar o suporte – filme ou sensor digital, ou papel ou tecido ou parede ou, BEM, você entendeu.

A câmara escura é até ANTERIOR ao surgimento da máquina fotográfica, pois era utilizada por pintores pra conseguir fazer uma representação mais fiel da realidade ou mesmo como “instrumento” de defesa nacional, veja só:

Essa abaixo, lá de Portugal (AINDA não conheço), era usada pra acompanhar o movimento de navios no mar mais próximo à costa:

Camera Obscura as seen from our table at The Cliff House Bistro.
Unique view of Seal Rock!

Veja mais algumas fotos dessa maravilha aqui, VAI!



Eu pensava sobre isso pois estou combinando um empréstimo de uma Câmera Escura de uns colegas fotógrafos aqui de Balneário Camboriú pra um evento que estou ajudando a organizar (se der certo, posto aqui depois hehehe… se não der, posto também).

[Aliás, és estudante, professor e/ou pesquisador de qualquer área da Comunicação? Bora pro Intercom Sul então, né… Aqui em Balneário Camboriú dias 16, 17 e 18 de junho, logo-logo…]



Nessa correria eu fiquei pensando que a Câmera (ou Câmara, dá na mesma) Escura é uma espécie de “retorno às origens” que muito fotógrafos, estudantes e outros malucos fazem de diversas maneiras, pois a técnica é relativamente simples: uma (GRANDE) caixa escura (caixa mesmo, papelão, madeira ou algo assim, um quarto ou uma sala ou uma cabana, ou mesmo um objeto que sirva de “espaço” pra imagem se formar lá dentro, veja referências e ideias loooooucas abaixo) com um “furo” que cumpre a função de diafragma, pelo qual entra a luz que, refletida na parede oposta, vai formar a imagem em um suporte branco (ou quase isso), invertida e de ponta cabeça.

Não entendeu? Veja abaixo, pois pensando nisso tudo fui procurar umas novas referências, e olha quanta coisa linda.



Bora começar com o fotógrafo cubano Aberlardo Morell, que viajou o mundo preparando quartos em cidades turísticas para serem usados como Câmera Escura:

Camera Obscura- Manhattan View looking South in Large Room, 1996

Camera Obscura- Image of the Chrysler Building in Hotel Room, 1999
Camera Obscura- Santa Maria della Salute in Palazzo Bedroom, Venice, Italy, 2006



Além deste projeto ele tem vários que “brincam” com questões bem básicas da fotografia, inclusive este, chamado “barraca escura”, no qual ele projetou e construiu uma, oooohhhhhh, barraca portátil (desculpem-me pela redundância) e saiu por aí registrando uns lugares doidos projetados no chão desses mesmos lugares:

Tent Camera Diagram #1.jpg

Tent-Camera Image- Les Invalides On Terrace Floor. Paris, France, 2016
Detailed View of Toledo, Spain, 2013

Mais imagens desse projeto aqui, e aproveita pra ver as outras MALUQUICES do Sr. Morell. E segue o cara lá no insta que tem MUITA coisa bonita, BORA!



Seguindo mundo afora, aqui um maluco inglês que já aprontou VÁRIAS, inclusive esse trailler lindão:

E ainda tem um “anexo” pra revelação e ampliação, pra algumas das suas atividades, saca só o resultado:

Você pode ver mais fotos e registros de construção dessa belezinha aqui, te atira!

Aproveita e segue ele no insta também, tem MUITA coisa boa lá.


E o maluco não parou, pensou GRANDE e foi pra um container:

Veja mais imagens desse trabalho por aqui, além deste belo vídeo sobre a proposta:

Se o cara é OUSADO? Dá uma olhada no site oficial dele e confere:



Aliás, nós do Jogo Super Clicks somos amantes dos fotógrafos brasileiros e queremos ressaltar que AQUI NO NOSSO BRASIL VARONIL temos ótimos exemplos de Câmera Escura.

Um dos nossos trabalhos preferidos (um dos NADA, é O nosso preferido hehehe…) é o trabalho do nosso amigo Ricardo Hantzschel, fotógrafo e professor de fotografia gente boníssima que “herdou” um trailer de umas fotógrafas europeias que fizeram uns projetos aqui no Brasil e ao final não quiseram levar o dito cujo pro velho mundo, presenteando o amigo Ricardo com essa belezinha, ó:

A partir daí – já faz uns anos… – esse MALUCO querido atirou-se de vez em técnicas alternativas de fotografia e criou mil projetos trimmmmmassa, juntando tudo no Cidade Invertida – até o nome é bom! – e participando de eventos, congressos, encontros & afins. Eu mesmo já tive a alegria de estar com ele no Festival de Paraty, como contei por aqui faz um tempo.

Eles têm diversas ações de formação de público pra comunidade em geral, pra professores, estudantes ou afins. Ou seja, todo mundo consegue se divertir:

Aliás, várias atividades trabalham com as máquinas na lata, a câmera Pinhole, bastante utilizada em diversos trabalhos aqui no Brasil e que, claro, também está no nosso lindo e maravilhoso e mui humilde Jogo Super Clicks, ó:

Tá, tem a maldade ali do CHUTE, mas é pra despertar curiosidade mesmo, além de que a técnica é experimental e tem um pouco de acaso envolvido, sejamos sinceros. Por outro lado, nós valorizamos muito o esforço de cada “construtor” de máquina Pinhole e damos nota 10 pra marca, aeeeeeeeeee


Voltando ao Cidade Invertida, confere e siga o insta deles pra conhecer um pouco mais do(S) projeto(S) ou navegue aqui pelo site completão, cheio de boas imagens de encontros já feitos – e atenção aos sorrisos do público, da equipe e de todos envolvidos hehe.

Aqui mesmo um vídeo explicativo do projeto original, ainda nos idos de 2011, mas ainda muito pertinente:


E como se não bastasse todos estes BELOS trabalhos do amigo Ricardo, ele ainda manda muito bem no click e faz questão de sempre dividir um pouco do seu conhecimento. Esse livro aqui, por exemplo, executado pelo (também) extinto Prêmio Marc Ferrez de Fotografia [ahhhhh, bons tempos aqueles em que se podia contar com um pouco de incentivo às artes brasileiras, né não?], foi concebido e desenvolvido a partir da temática do sal.

Imagine você, caro amante de fotografia, que o estimado fotógrafo não se satisfez em “só” fotografar (TRI BEM) uma salina, suas gente, seus espaços, seu ambiente… ele foi além e usou o próprio sal daquela salina pra produzir papel salgado (ohhhh) e, usando técnicas bastante antigas da fotografia, criar suas imagens. Depois fez uma exposição lá na salina mesmo, pra valorizar seus modelos, e ainda incluiu um capítulo final explicando todo o processo, equipamentos e suprimentos técnicos. É, decididamente, lindo-lindo!

E ainda inseriu esta bela frescura (tipo as que temos na caixa e nas cartas do Jogo Super Clicks) já na capa, fazendo o leitor perceber pelo tato parte do apelo trazido nas fotos que serão conhecidas, o que causa um belo efeito de textura, te garanto:

Do ponto de vista técnico não é assim tão difícil fazer – deve ter sido um verniz localizado, coisa do tipo – mas contribui bastante pra mensagem a ser transmitida, lembrando que Comunicação é = Forma + Conteúdo e precisa ser bem pensada e alinhada ao conceito da obra, além de exigir certo investimento financeiro extra, claro. E o resultado agrada muito, parabéns ao professor Hantzschel também por essa e vida longa à Cidade Invertida.



E você, conhece outros trabalhos desse tipo? Já viu uma câmara escura? Visitou esse espaço mágico de criação de imagens? Conta pra gente hehe…

Boas leituras e bons clicks a todos!

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